Informativo
Monkeypox

Informativo <br>Monkeypox

A Monkeypox, também conhecida como varíola dos macacos, é uma zoonose viral (vírus transmitido aos seres humanos a partir de animais) com sintomas semelhantes aos observados no passado em pacientes com varíola, porém com uma apresentação clínica de menor gravidade.

1- Transmissão

A Monkeypox é transmitida principalmente por meio de contato direto ou indireto com sangue, fluidos corporais, lesões de pele ou mucosa de animais infectados.

A transmissão secundária, ou seja, de pessoa a pessoa, pode ocorrer por contato próximo com secreções respiratórias infectadas (contato prolongado), lesões de pele de uma pessoa infectada ou com objetos e superfícies contaminados.

A transmissão sexual nunca foi descrita, estudos complementares são necessários.

O período de transmissão da doença se encerra quando as crostas das lesões
desaparecem.

2- Sinais e sintomas

O período de incubação (intervalo desde a infecção até o início dos sintomas) da
Monkeypox é geralmente de 6 a 13 dias, podendo variar de 5 a 21 dias.

Clinicamente, a infecção pode ser dividida em dois períodos:

  • O período febril (entre os dias 0 e 5): caracterizado por febre, cefaleia intensa, adenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), dor nas costas, mialgia (dores musculares) e astenia intensa (falta de energia).
    A adenopatia é um sinal importante para o diagnóstico diferencial da Monkeypox com outras doenças que podem apresentar sintomatologia semelhante como a varicela e o sarampo.
  • O período de erupção cutânea (entre 1 e 3 dias, após o início da febre): quando aparecem as diferentes fases da erupção cutânea, que geralmente afeta primeiro o rosto e depois se espalha para o resto do corpo. As áreas mais afetadas são a face (em 95% dos casos), as palmas das mãos e as plantas dos pés (em 75% dos casos). Também são afetadas as mucosas orais (em 70% dos casos), genitália (30%) e conjuntiva (20%), bem como a córnea. A erupção evolui sequencialmente de: máculas (lesões com base plana) para pápulas (lesões firmes levemente elevadas); vesículas (lesões cheias de líquido claro); pústulas (lesões cheias de líquido amarelado) e crostas, o que ocorre em cerca de 10 dias e, após isso, essas crostas secam e caem. O número de lesões é variado. Em casos graves, as lesões podem coalescer até que grandes porções de pele se desprendam.

A Monkeypox é geralmente uma doença autolimitada com os sintomas que duram de 2 a 4 semanas.

Casos graves ocorrem mais comumente entre crianças e estão relacionados à extensão da exposição ao vírus, estado de saúde do paciente e natureza das complicações. As deficiências imunológicas subjacentes podem levar a resultados piores.

As complicações da Monkeypox podem incluir infecções secundárias, broncopneumonia, sepse, encefalite e infecção da córnea com consequente perda de visão.

Historicamente, a taxa de letalidade da Monkeypox variou de 0 a 11% na população em geral e tem sido maior entre as crianças. Nos últimos tempos, a taxa de mortalidade de casos foi de cerca de 3%.

3- Definição de caso

  • Caso Suspeito: início súbito de febre (>38,5°C), adenomegalia e erupção cutânea aguda inexplicável e que apresente um ou mais dos seguintes sinais ou sintomas: dor nas costas, astenia, cefaleia, e excluindo as doenças que se enquadram como diagnóstico diferencial e/ou qualquer outra causa comum localmente relevante de erupção vesicular ou papular.
  • Caso Provável: pessoa que atende à definição de caso suspeito e um ou mais dos seguintes critérios: tem um vínculo epidemiológico (exposição próxima sem proteção respiratória); contato físico direto, incluindo contato sexual; ou contato com materiais contaminados (como roupas ou roupas de cama) com um caso provável ou confirmado de varíola símia, nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas e/ou histórico de viagem para um país endêmico de varíola símia nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas.
  • Caso Confirmado: Pessoa que atende à definição de caso suspeito ou provável e é confirmado laboratorialmente para o vírus da varíola dos macacos por teste molecular (PCR em tempo real) ou outro, como sequenciamento.

4- Diagnóstico

As amostras preferenciais para diagnósticos são: material vesicular (fluido das lesões) e crostas.

A coleta no Hospital Dom Alvarenga será realizada pelo SCIH conforme as orientações descritas pelo Laboratório de referência em Saúde Pública do Estado de São Paulo e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz (IAL).

Portanto em todo caso suspeito, o SCIH deverá ser prontamente acionado através do RAMAL 1763. No período noturno e aos finais de semana, contato via telefone com Coordenação SCIH.

5- Tratamento

Não existem tratamentos específicos para a infecção pelo vírus da Monkeypox. Os sintomas dessa doença geralmente desaparecem naturalmente. É importante cuidar da erupção deixando-a secar ou cobrindo-a com um curativo úmido para proteger a área afetada, se necessário. Deve-se orientar o paciente a evitar tocar em feridas na boca ou nos olhos. Além disso, os cuidados clínicos para pacientes hospitalizados com Monkeypox devem ser totalmente otimizados para aliviar os sintomas, gerenciar complicações e prevenir sequelas a longo prazo, além das medidas de prevenção de infecções secundárias.

6- Precaução/Isolamento

O paciente deverá permanecer em quarto privativo. Em caso de procedimentos que gerem aerossóis, estes devem ser realizados, preferencialmente, em quarto com pressão negativa e filtro HEPA, se disponível. Na ausência desse tipo de unidade, deve-se colocar o paciente em um quarto individual bem ventilado (ar condicionado que garanta a exaustão adequada ou janelas abertas), com portas fechadas e restringir o número de profissionais no local durante estes procedimentos.

As precauções específicas (contato, gotículas ou aerossóis) e o isolamento de pacientes com Monkeypox devem ser implementados até o completo desaparecimento das crostas das lesões e uma nova camada de pele tenha se formado, pois esse é o momento em que se encerra o período de transmissibilidade da doença.

7- Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s)

A precaução de rotina é gotículas e contato. Em situações especiais (intubação, ventilação mecânica, ventilação não invasiva, broncoscopias, ressuscitação cardiopulmonar), deverá ser instituída a precaução de aerossóis e contato.

Os EPIs devem ser: avental descartável, máscara cirúrgica (ou N95/PFF2 em casos que gerem aerossóis), luvas descartáveis, gorro e óculos de proteção.

8- Referências

Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 03/2022 – Orientações para prevenção e controle da Monkeypox nos Serviços de Saúde – Ministério da Saúde/ANVISA, Brasília, 2022.

 

Responsável: SCIH – Serviço de Controle de Infecção Hospitalar

Like

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Preencha os campos marcados com *

Like